Assédio Moral no Trabalho: Direitos, Proteção Legal e Indenizações
Assédio Moral no Trabalho: o que é, como provar, direitos do trabalhador e indenização
O assédio moral no trabalho é uma das violações mais graves ao meio ambiente laboral e à dignidade do empregado. Além de gerar sofrimento pessoal e adoecimento, pode resultar em responsabilização civil do empregador, rescisão indireta do contrato e indenização por dano moral.
Este guia apresenta, de forma técnica e acessível, o que caracteriza o assédio moral, como reunir provas e quais são os direitos assegurados pela legislação brasileira.
O que é assédio moral no trabalho
Assédio moral é a prática reiterada de condutas abusivas — por ação ou omissão — que expõem o trabalhador a humilhação, constrangimento ou desvalorização profissional, degradando o ambiente de trabalho.
Não se trata de conflito isolado, cobrança legítima ou episódio pontual de tensão. A caracterização depende de continuidade e gravidade suficientes para atingir a dignidade ou a saúde do empregado.
A intenção explícita de humilhar não precisa ser demonstrada. Basta que o comportamento seja objetivamente ofensivo e produza efeitos nocivos.
Elementos que caracterizam o assédio moral
A jurisprudência trabalhista costuma reconhecer o assédio quando presentes, em conjunto ou de forma predominante:
- Repetição das condutas ao longo do tempo
- Abuso do poder hierárquico ou organizacional
- Tratamento humilhante ou degradante
- Isolamento ou desqualificação profissional
- Impacto na saúde ou na dignidade do trabalhador
Cada caso é analisado conforme seu contexto concreto.
Exemplos comuns de assédio moral no ambiente de trabalho
Isolamento profissional
- Retirada injustificada de atribuições
- Exclusão de reuniões e comunicações internas
- Ignorar deliberadamente a presença do trabalhador
Desqualificação sistemática
- Críticas públicas excessivas
- Desautorização perante colegas ou clientes
- Atribuição de tarefas inúteis ou impossíveis
Humilhações e violência psicológica
- Gritos, xingamentos ou ironias constantes
- Exposição vexatória
- Comentários depreciativos sobre capacidade ou aparência
Gestão por medo ou pressão abusiva
- Ameaças recorrentes de demissão
- Metas manifestamente inalcançáveis
- Cobranças desproporcionais e punições arbitrárias
Condutas discriminatórias
Podem ocorrer simultaneamente ao assédio e possuem proteção legal específica quando baseadas em raça, gênero, idade, deficiência, religião ou orientação sexual.
Consequências para a saúde do trabalhador
O assédio moral pode gerar adoecimento físico e psíquico reconhecido pela medicina e pelos tribunais.
Psicológicas
- Ansiedade e depressão
- Síndrome de burnout
- Transtornos de estresse
Físicas
- Insônia e fadiga crônica
- Cefaleias e dores musculares
- Alterações cardiovasculares
Sociais e profissionais
- Isolamento
- Queda de desempenho
- Incapacidade para o trabalho
- Perda do emprego
Quais são os direitos do trabalhador vítima de assédio moral
A proteção decorre da Constituição Federal, da legislação trabalhista e da responsabilidade civil.
Indenização por dano moral
Comprovado o assédio e o dano, surge o dever de reparação financeira.
Ambiente de trabalho saudável
O empregador deve garantir condições que preservem a saúde física e mental dos empregados.
Afastamento por incapacidade
Se houver adoecimento, o trabalhador pode receber benefício previdenciário do INSS após perícia médica.
Estabilidade provisória
Quando reconhecida doença ocupacional, pode haver garantia de emprego após o retorno ao trabalho.
Rescisão indireta
O empregado pode encerrar o contrato por falta grave do empregador, recebendo verbas equivalentes à dispensa sem justa causa.
Responsabilidade do empregador
A empresa responde não apenas por atos próprios, mas também por condutas de gestores ou colegas quando:
- tinha conhecimento da situação
- foi negligente na prevenção ou apuração
- tolerou ambiente abusivo
- não adotou medidas corretivas eficazes
O entendimento está consolidado na jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho.
Como provar o assédio moral no trabalho
A prova é o elemento central das ações judiciais.
Podem ser utilizados:
- E-mails e mensagens corporativas
- Registros de reuniões
- Advertências e avaliações de desempenho
- Testemunhas
- Relatórios médicos ou psicológicos
- Anotações contemporâneas aos fatos
Mesmo quando não há prova direta, o conjunto de indícios pode formar convencimento judicial.
O que fazer ao sofrer assédio moral
- Registrar datas, fatos e envolvidos
- Guardar documentos e comunicações
- Formalizar a situação internamente, se possível
- Buscar acompanhamento médico ou psicológico
- Consultar advogado especializado antes de pedir demissão
Decisões precipitadas podem prejudicar a produção de provas e os direitos futuros.
Denúncias institucionais
Além da via judicial, situações graves ou coletivas podem ser levadas ao Ministério Público do Trabalho, que pode instaurar investigação e adotar medidas contra a empresa.
Como é calculada a indenização por assédio moral
Não existe valor fixo. O juiz considera fatores como:
- Gravidade da conduta
- Duração do assédio
- Intensidade do sofrimento
- Repercussão na vida pessoal e profissional
- Capacidade econômica das partes
- Caráter pedagógico da condenação
O tema é analisado à luz da Constituição e da legislação trabalhista, com orientação do Supremo Tribunal Federal.
Assédio moral dá direito a rescisão indireta?
Sim. Quando a conduta torna insustentável a continuidade do vínculo, o trabalhador pode pleitear judicialmente a rescisão indireta, recebendo:
- Aviso-prévio
- Férias proporcionais + 1/3
- 13º proporcional
- Multa do FGTS
- Saque do FGTS
- Seguro-desemprego (se preenchidos os requisitos)
Conclusão
O assédio moral no trabalho não é apenas uma questão de gestão inadequada — trata-se de violação grave aos direitos fundamentais do trabalhador.
A legislação brasileira oferece instrumentos eficazes para interromper a conduta abusiva, reparar os danos sofridos e restabelecer a dignidade profissional da vítima.
Diante de sinais persistentes de humilhação, isolamento ou pressão abusiva, a orientação jurídica especializada é a forma mais segura de proteger direitos e preservar provas.
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