Artigo #1

Assédio Moral no Trabalho: Direitos, Proteção Legal e Indenizações

PorAgenir Braz Dalla Vecchia
Publicado em16 de fevereiro de 2026
Tempo de leitura5 min

Assédio Moral no Trabalho: o que é, como provar, direitos do trabalhador e indenização

O assédio moral no trabalho é uma das violações mais graves ao meio ambiente laboral e à dignidade do empregado. Além de gerar sofrimento pessoal e adoecimento, pode resultar em responsabilização civil do empregador, rescisão indireta do contrato e indenização por dano moral.

Este guia apresenta, de forma técnica e acessível, o que caracteriza o assédio moral, como reunir provas e quais são os direitos assegurados pela legislação brasileira.

O que é assédio moral no trabalho

Assédio moral é a prática reiterada de condutas abusivas — por ação ou omissão — que expõem o trabalhador a humilhação, constrangimento ou desvalorização profissional, degradando o ambiente de trabalho.

Não se trata de conflito isolado, cobrança legítima ou episódio pontual de tensão. A caracterização depende de continuidade e gravidade suficientes para atingir a dignidade ou a saúde do empregado.

A intenção explícita de humilhar não precisa ser demonstrada. Basta que o comportamento seja objetivamente ofensivo e produza efeitos nocivos.

Elementos que caracterizam o assédio moral

A jurisprudência trabalhista costuma reconhecer o assédio quando presentes, em conjunto ou de forma predominante:

  • Repetição das condutas ao longo do tempo
  • Abuso do poder hierárquico ou organizacional
  • Tratamento humilhante ou degradante
  • Isolamento ou desqualificação profissional
  • Impacto na saúde ou na dignidade do trabalhador

Cada caso é analisado conforme seu contexto concreto.

Exemplos comuns de assédio moral no ambiente de trabalho

Isolamento profissional

  • Retirada injustificada de atribuições
  • Exclusão de reuniões e comunicações internas
  • Ignorar deliberadamente a presença do trabalhador

Desqualificação sistemática

  • Críticas públicas excessivas
  • Desautorização perante colegas ou clientes
  • Atribuição de tarefas inúteis ou impossíveis

Humilhações e violência psicológica

  • Gritos, xingamentos ou ironias constantes
  • Exposição vexatória
  • Comentários depreciativos sobre capacidade ou aparência

Gestão por medo ou pressão abusiva

  • Ameaças recorrentes de demissão
  • Metas manifestamente inalcançáveis
  • Cobranças desproporcionais e punições arbitrárias

Condutas discriminatórias

Podem ocorrer simultaneamente ao assédio e possuem proteção legal específica quando baseadas em raça, gênero, idade, deficiência, religião ou orientação sexual.

Consequências para a saúde do trabalhador

O assédio moral pode gerar adoecimento físico e psíquico reconhecido pela medicina e pelos tribunais.

Psicológicas

  • Ansiedade e depressão
  • Síndrome de burnout
  • Transtornos de estresse

Físicas

  • Insônia e fadiga crônica
  • Cefaleias e dores musculares
  • Alterações cardiovasculares

Sociais e profissionais

  • Isolamento
  • Queda de desempenho
  • Incapacidade para o trabalho
  • Perda do emprego

Quais são os direitos do trabalhador vítima de assédio moral

A proteção decorre da Constituição Federal, da legislação trabalhista e da responsabilidade civil.

Indenização por dano moral

Comprovado o assédio e o dano, surge o dever de reparação financeira.

Ambiente de trabalho saudável

O empregador deve garantir condições que preservem a saúde física e mental dos empregados.

Afastamento por incapacidade

Se houver adoecimento, o trabalhador pode receber benefício previdenciário do INSS após perícia médica.

Estabilidade provisória

Quando reconhecida doença ocupacional, pode haver garantia de emprego após o retorno ao trabalho.

Rescisão indireta

O empregado pode encerrar o contrato por falta grave do empregador, recebendo verbas equivalentes à dispensa sem justa causa.

Responsabilidade do empregador

A empresa responde não apenas por atos próprios, mas também por condutas de gestores ou colegas quando:

  • tinha conhecimento da situação
  • foi negligente na prevenção ou apuração
  • tolerou ambiente abusivo
  • não adotou medidas corretivas eficazes

O entendimento está consolidado na jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho.

Como provar o assédio moral no trabalho

A prova é o elemento central das ações judiciais.

Podem ser utilizados:

  • E-mails e mensagens corporativas
  • Registros de reuniões
  • Advertências e avaliações de desempenho
  • Testemunhas
  • Relatórios médicos ou psicológicos
  • Anotações contemporâneas aos fatos

Mesmo quando não há prova direta, o conjunto de indícios pode formar convencimento judicial.

O que fazer ao sofrer assédio moral

  1. Registrar datas, fatos e envolvidos
  2. Guardar documentos e comunicações
  3. Formalizar a situação internamente, se possível
  4. Buscar acompanhamento médico ou psicológico
  5. Consultar advogado especializado antes de pedir demissão

Decisões precipitadas podem prejudicar a produção de provas e os direitos futuros.

Denúncias institucionais

Além da via judicial, situações graves ou coletivas podem ser levadas ao Ministério Público do Trabalho, que pode instaurar investigação e adotar medidas contra a empresa.

Como é calculada a indenização por assédio moral

Não existe valor fixo. O juiz considera fatores como:

  • Gravidade da conduta
  • Duração do assédio
  • Intensidade do sofrimento
  • Repercussão na vida pessoal e profissional
  • Capacidade econômica das partes
  • Caráter pedagógico da condenação

O tema é analisado à luz da Constituição e da legislação trabalhista, com orientação do Supremo Tribunal Federal.

Assédio moral dá direito a rescisão indireta?

Sim. Quando a conduta torna insustentável a continuidade do vínculo, o trabalhador pode pleitear judicialmente a rescisão indireta, recebendo:

  • Aviso-prévio
  • Férias proporcionais + 1/3
  • 13º proporcional
  • Multa do FGTS
  • Saque do FGTS
  • Seguro-desemprego (se preenchidos os requisitos)

Conclusão

O assédio moral no trabalho não é apenas uma questão de gestão inadequada — trata-se de violação grave aos direitos fundamentais do trabalhador.

A legislação brasileira oferece instrumentos eficazes para interromper a conduta abusiva, reparar os danos sofridos e restabelecer a dignidade profissional da vítima.

Diante de sinais persistentes de humilhação, isolamento ou pressão abusiva, a orientação jurídica especializada é a forma mais segura de proteger direitos e preservar provas.

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OAB/PR 20.207

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